Thursday, November 16, 2006

Eixo-coração

Toda essa luz, toda essa informação, toda esse afã por conhecer, por informação, por razão, por provas e experiências, toda essa gente, me ofusca.
Minha alma se perde nesse labirinto, ela é leve e é carregada por qualquer brisa, e nesse burburinho todo lá de fora ela se perde, carregada pelo vácuo de passos apressados até outro e outro vácuo, até o lufar de uma fumaça quente e cinza... Perdida nessa cidade grande, em toda essa luz, em toda essa multidão, em todo esse barulho.
A beleza que lhe toca e o amor que lhe preenche a tornam ainda mais leve... e assim, depois do grande êxtase, um vento forçado a leva longe, a perde no meio desse labirinto mórbido... feito não para almas, mas para mentes.
Não sei bem mais se se trata mesmo de insegurança... talvez seja mesmo falta de um eixo, de um ponto fixo. Eu, minha alma, meu coração, perdidos nesse vai-vém, nessa fuinha toda, até o ponto em que dói...
Estou com a saudade mais inusitada, a de mim mesmo. Eu me quero de volta. Eu quero estar apaixonado sozinho de novo. Eu quero ser feliz sentado debaixo de uma árvore a tarde inteira, sem pensar em nenhuma outra pessoa. Eu quero ser sincero quando digo que não sinto pena, que não sinto... quero ser sincero quando digo que estou fechado pra reforma.
Devolvam a cor aos meus olhos, devolvam-me o eixo da minha roda-coração, devolvam-me a paixão própria. Devolvam-me, fantasmas que me assombram. Porque não são pessoas que me tiraram tudo isso, foi eu quem deixei partir, fui eu quem não soube prender direito e permiti que tudo se desmanchasse no vento. Mas eu não sou grande o suficiente para controlar todos os ventos, para manter vivo desmanchado neles.

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