Ontem eu tive a prova mór que na vida somos só o que somos, que não há mudança.Tudo que muda é o ângulo daquilo que focamos, que desejamos, ao fim é tudo o mesmo.
Ontem eu fiz tudo como pensei que não seria capaz de fazer: tinha um trabalho pra fazer e não fiz, votei no Alckmin (em que mundo eu votaria no Alckmin? mas foi porque eu pensei em 2010, se o PSDB governasse agora estaria queimado o suficiente em 2010 pro Aécio não ganhar, e se o Lula não ganhasse agora não ganharia lá... arranjariam outros estorvos, mas a Heloísa Helena teria mais chances... e me contaram que o Lula disse que sabia que ia ganhar, mas teme um impeachment) e cortei o cabelo - eu disse que cortei, e realmente cortei.
Depois veio a ansiedade... eu quase passei mal ontem de tanta ansiedade. Daí eu tentei desenhar, e as mãos tremiam, eu não conseguia... então fui ler... e não conseguia ler. Então recorri ao que eu sempre recorro nessas situações: mantras!
Acalmei... mas não plenamente.
E lendo o fim dO Poder do Mito eu comecei a ter idéias pro meu grande conto, "meu filho".
Campbell tentava explicar sobre o centro de todos nós, aquele ponto que nos faz indiferentes a todo esse sofrimento, que nos mantém fortes, que nos faz seguir em frente com ou sem esperança, quando ela não importa mais... o ponto eixo de si mesmo. Nesse ponto eu percebi que na verdade a minha história é a busca de um personagem por este "centro", é a busca de um reino, de uma comunidade, de uma deusa, de um monstro... todos procuram este ponto em si mesmos...
E meu conto dO Frívolo era exatamente a mesma coisa! Ele tentava alcançar o centro da ilha...
Além disso, quando eu cortei o cabelo, que todos mais que sabem, era o meu "xodó", meu grande apego... a sensação é antes de alívio que de perda... A perda me causa alívio na verdade. Sacrificar aquilo que se protege te livra da obrigação da proteção. Assim, comecei a imagina r minha vida se eu sacrificasse minha escrita... como seria. Provavelmente eu sairia por aí, indiferente a estar vivo ou não... nas minhas crises adolescentes tudo que me segurou ao querer viver foi isso, foi 'meu filho'.
Como seria uma vida de sacrifícios? Abandonar tudo que se ama... deixar morrer tudo aquilo que abriga a esperança... Eu, antes de pensar que seria terrível, penso que seria leve, "sublime".
Mas... desde pequeno acredito que escrever, ou criar, está acima de mim. Eu aprendi a escrever logo que soube o nome das letras e vi a primeira sílaba, eu aprendi a maldição das palavras cedo.
Mas o fato de ter jogado tanto fora... e agora notar que tudo que eu faço na vida é recriar aquilo, mas visto de um outro ângulo, isso é aterrorizante... é falta de controle da consciência na própria vida...
Mas que é consciência e ego? Talvez seja como uma ilha, rodeada de oceano, oceano até as profundezas, numa alma que é como um planeta inteiro.
1 comments:
Quem diabos é Aécio????
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