Ela era tão linda, tão relaxada em seu sono profundo, dormia feito por encantamento, nada a poderia acordar em seu barco, nem o vento forte, nem a tempestade, nem as ondas que a derrubaram dentro do Oceano e lá deixaram seu cabelo ainda mais vermelho.Em seus sonhos caía de volta ao útero, sentia-se molhada e acolhida, sentia que não mais precisava respirar ou comer, não mais precisava pensar, nem mesmo no filho que estava em seu ventre.
Afundava nos braços das águas, afundava-se em seu delírio, posando como feto mais uma vez, pela última e eterna vez.
Não queria sair de seu último lar, mas queria a solidão... então o garoto de seu ventre foi expulso nos reinos do Oceano.
Ela não sentiu dor no parto natural, seu sono se tornou eterno.
(conto baseado na obra Danaë de Gustav Klimt, feito com o Daniel e o Alexandre, do curso)
1 comments:
Triste e belíssimo texto. Você possui um fino trato para novas mitologias.
Abraços
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